Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2006

Escutas

J. Carlos Vasconcelos escreve na Visão “Temos o direito e o dever de nos indignar com a impunidade dos responsáveis por inadmissíveis escutas telefónicas, enquanto só se parece perseguir os que revelaram a sua existência”.


Este é um pequeno extracto de uma arenga de página inteira na qual, grosso modo, se condena a actuação do MP e se louva as virtudes jornalísticas da imprensa portuguesa.


Independentemente das imperfeições e erros de uns e a louvável missão de informar, dos outros, creio que o articulado se baseia num pressuposto falso; as escutas telefónicas referentes ao famoso envelope 9. Ora o conteúdo do famoso envelope, tanto quanto sei, é o registo de números de telefones de cidadãos e estado, que fizeram ou receberam chamadas em determinados períodos, não constando a transcrição de conversas mantidas nas mesmas chamadas.


A defesa corporativista dos jornalistas feita a partir de um pressuposto falso não dignifica quem o faz nem a própria corporação. Também aqui e mais uma vez, se pretende, pura e simplesmente, manipular grosseiramente a opinião pública.


Concordo inteiramente com o dever e o direito à indignação e, seria bem mais útil que o Sr., jornalista tivesse aproveitado o espaço e tempo para se indignar com outras coisas que bem mais prejudicam os portugueses.


Eu concordo com as escutas telefónicas como instrumento de investigação, desde que justificadas e controladas, e acredito que sem as mesmas, a maioria dos crimes ficarão, não apenas sem castigo, mas sem investigação. Por isso, o que me indigna, é saber que o poder político pretende um estatuto legal especial, que impeça a escuta dos seus iguais, que qualquer borrabotas que esteja na política só possa ser julgado por um tribunal superior e por aí fora.


Citando Ricardo Araújo Pereira na mesma publicação: parece-me que um dos sinais de que há qualquer coisa errada com a democracia é nós começarmos a descobrir mais integridade num tablóide do que no procurador-geral da República.




publicado por AC às 10:52

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Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2006

Carta aberta ao Sr. Presidente

Deixará V. Ex.ª, brevemente o cargo de Presidente da Republica, que ocupou, e não, desempenhou, ao longo de dez fastidiosos anos.


Devo dizer-lhe como cidadão deste país, que encaro a sua partida com algum alívio e poucas esperanças que o seu sucessor faça melhor. Terá este no entanto, o benefício da dúvida.


Tento recordar algo que possa advogar a seu favor. Algo que tenha feito pelo país, pelos portugueses. Lamentavelmente, apenas recordo as suas eternas preocupações, que de tal nunca passaram, com a justiça, as minorias, os velhos, as visitas à Cova da Moura e a distribuição de condecorações, única actividade marcante da sua presidência. Dez longos anos durante quais o país se transformou no enorme lamaçal em que vivemos e a que V. Ex.ª, assistiu serenamente. Preocupado, julgo eu.


Mas, para o povo, o país que deixa, está infinitamente pior do que o que encontrou. Em síntese, os ricos estão mais ricos, a classe média está pobre, e os pobres de então são hoje mendigos. Não se poderá orgulhar deste legado. Dois milhões de portugueses no limiar da miséria, dez porcento de desempregados, uma profunda crise na justiça, na economia, na política e, na sociedade em geral.


Um país asfixiado com impostos, taxas, coimas e derramas. Um governo que se orgulha do crescimento da receita fiscal num cenário de estagnação económica.


Custou-nos a sua presidência, cerca de seis milhões de contos por ano, quantia muito superior ao custo da Casa Real Espanhola e que certamente, teria sido melhor empregue a suprir as necessidades mais elementares dos dois milhões de portugueses que vivem na miséria.


Continuaremos ainda a pagar a sua reforma, mesmo à conta da nossa fome e, todas as comodidades de que usufruirá. É o balanço da sua presidência. Deixarei de viver preocupado com as suas preocupações. Viverei preocupado a tentar sobreviver num país onde os políticos têm como objectivo asfixiar o povo.


Devo dizer-lhe que não votei em si nem em qualquer dos últimos governos. Há muito que não voto, porque há muito percebi quem são e que objectivos têm os candidatos ao poder. Só o voltarei a fazer quando os políticos tiverem palavra, a souberem honrar e tenham, como primeira prioridade o enriquecimento do país e não de outros.


Cordialmente,




publicado por AC às 19:49

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Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2006

Carta ao Sr. Ministro da Segurança Social (2)

Em seguimento à carta anterior sobre as suas declarações, queira o Sr., ministro ter a gentileza de explicar ao país, como é que entende a reforma do Sr. Fernando Gomes, actual administrador da GALP, concedida pela CGA no montante de 3.172 € mensais, que acumulam com o ordenado mensal de 15.000 €.


O país agurada ansiosamente as suas explicações.


Cordialmente,


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publicado por AC às 18:28

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Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2006

Carta ao ministro da Segurança Social

Disse o Sr., ministro considerar "inaceitável a saída precoce do mercado de trabalho com direito a pensão", quando muitas vezes se continua a verificar que "esses trabalhadores continuam a trabalhar até na mesma empresa da qual a pessoa se reformou".


Todos sabemos disso e sabemos que tal situação acontece dentro do próprio estado. E não tem sido o próprio poder político a empurrar para a reforma essas pessoas com decretos-leis específicos como aconteceu na PT, nos CTT, na EDP e nos Bancos que permitiu a reforma antecipada (aos 50 anos de idade, desde que tivessem 30 anos de carreira contributiva, em casos conhecidos)?


Não acontece exactamente o mesmo com inúmeros políticos, classe de que o Sr. Ministro faz parte? Não precisarei certamente enviar-lhe a lista de políticos reformados que continuam a exercer diferentes actividades, algumas altamente retribuídas.


Não lhe parece Sr. Ministro que declarações deste teor mais não são do que terrorismo psicológico que acentuam a angústia e a intranquilidade de quem, por força de lei, desconta ou descontou para Segurança Social?


Não lhe parece Senhor Ministro que a primeira prioridade de qualquer governo é a de zelar pelo bem-estar, desenvolvimento e progresso do povo que o elegeu e não andar diariamente a assustar e a dificultar a vida dos mais pobres?


Não lhe parece Sr. Ministro que se a Segurança Social não puder pagar reformas no futuro, o governo deveria tornar facultativas as contribuições para a mesma? Como encara o Sr., ministro a obrigatoriedade dos cidadãos contribuírem para um sistema de pensões que não pode garantir a dita pensão?


Também lhe pergunto Sr., ministro se acha razoável que as regras de aposentação, para quem começou a trabalhar e a contribuir há quarenta anos atrás, sejam alteradas quando estes cidadãos estão na idade de reforma preconizada quando começaram a trabalhar?


O estado não pode continuar a obrigar os trabalhadores a descontarem para a Segurança Social no actual quadro. O estado não tem o direito de determinar a idade de reforma sem dar alternativa ao trabalhador de escolher entre a obrigatoriedade de descontar para a SS e reformar-se aos 65 anos com a pensão que o governo nesse momento entender, ou deixar que esse mesmo cidadão decida quando e como se decide reformar.


No meu caso Sr., ministro desconto há 41 anos para a SS. São 41 anos de contribuições a 11% do meu salário mais 23% da parte do meu empregador, que como deve compreender saem igualmente do meu salário.


Proponho-lhe que me sejam devolvidas estas contribuições, acrescidas da respectiva capitalização, sendo-me descontado tudo o que a SS gastou comigo. Ficaremos assim quites. O estado nada me deverá e eu nada pedirei ao mesmo estado. O Sr., ministro deixará de se preocupar com a minha pensão e eu não terei de viver angustiado com as suas declarações.


Cordialmente,




publicado por AC às 22:25

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Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2006

Viver bem à conta d'outrém

Exijo um lugar na política para todos os portugueses!

publicado por AC às 20:33

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Reformas

Constança Cunha e Sá no Espectro:


Ouvidos os partidos, o Governo fará como muito bem entender, como aliás já começou a fazer, quando aprovou em Conselho de Ministros, um diploma sobre a definição das prioridades da política criminal. Entretanto e dada a futilidade do exercício, os partidos e o Governo podiam aproveitar esta ronda para explicar ao país a última “novidade” do caso Felgueiras. Não bastava que, perante a incompreensão geral, a senhora tivesse regressado em ombros do seu “exílio” no Brasil, onde se tinha prudentemente refugiado da Justiça, em condições que ainda estão por esclarecer. Soube-se hoje que o Estado português financiou a sua “estadia”, enviando-lhe mensalmente 3499 euros, a título de reforma, para satisfação das suas necessidades básicas. Sem pôr em causa o direito que qualquer cidadão tem à sua legítima reforma, importa saber como é que alguém que anda fugido à Justiça portuguesa recebe do Estado português uma pensão, através da qual, consegue continuar a fugir à Justiça portuguesa.




publicado por AC às 20:20

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Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2006

Filantropia

Somos ricos e de esmola generosos. Aqui não se dão tostões! Primeiro foi aquele senhor de Oeiras que confrontado com a proveniência das malas de dinheiro que tinha no escritório, justificou: são contributos anónimos para a próxima campanha eleitoral. Agora aparece este senhor de Coimbra que, apanhado com a massa dentro do automóvel justificou a proveniência: contributos anónimos para o clube!


Bom e rico povo este, filantropo que para não lesar o estado na colecta, nem precisa de recibo para incluir na declaração de impostos. E como os beneficiários também não pensam declarar…


E não vai ninguém preso. Nem filantropos nem beneficiários!




publicado por AC às 23:12

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Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2006

Portugueses unidos

Finalmente e ao fim de 10 anos, o Sr. Sampaio, conseguiu mostrar a sua capacidade de unir os portugueses. Conseguiu pôr a associação dos proprietários de acordo com a dos inquilinos. Ambas pediam a não promulgação da nova lei das rendas. Ambas dizem que há aspectos inconstitucionais. Ambas dizem que esta lei não serve a nenhuma das partes.


O Sr. Sampaio diz que o governo lhe prestou esclarecimentos que lhe permitiram promulgar a lei. As associações dizem que o Sr., não a leu.


Custam-nos estas peças, presidentes, 6 milhões de contos por ano e, não se sabe ao certo quanto mais, depois de deixarem o cargo.


A mim, cheira-me a que os lucros da banca vão subir em flecha.




publicado por AC às 21:13

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Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2006

Adeus Sr. Sampaio

Muito se falou do papel do Presidente da Republica, semanas atrás. Passado o folclore eleitoralista, tudo voltou à normalidade. O nosso estimado ainda presidente, Sr. Jorge Sampaio, está a despedir-se de dois mandatos ao seu melhor nível. Primeiro por uma distribuição massiça de condecorações muitas das quais, seguramente discutíveis, e agora com um périplo pelo centro norte do país.


Os habitantes de Canas de Senhorim que não lhe perdoam que tenha andado 10 anos a assobiar para o ar e não tenha intercedido pela sua cruzada de Canas a Concelho, ameaçaram-no com uma vaia qualquer. Por isso, o nosso máximo representante, ficou-se pela vizinhança. Chegou a Nelas onde se acoitou durante uma breve meia hora, seguindo depois para Penalva do Castelo, isto no maior secretismo e com um programa que teve direito a alterações secretas.


Passou assim ao lado de Canas e das suas gentes. Belo exemplo de coragem e dignidade! Poderia ter-se disfarçado de foragido mas parece que não foi preciso porque passou despercebido. Assim nos representa o nosso presidente. Custa-nos isto, vale a pena lembrar, 6 milhões de contos por ano.




publicado por AC às 20:34

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Domingo, 5 de Fevereiro de 2006

Corrupção

Governo não considera prioritário o combate à corrupção, o que é um erro, porque a corrupção produz pobreza, agrava a desigualdade social e trava o crescimento económico.


Maria José Morgado, procuradora adjunta do Tribunal da Relação de Lisboa "In Notícias Magazine"


publicado por AC às 20:53

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Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2006

Merdas

A idade ensinou-me que, de forma geral, as coisas são simples. Quando me querem convencer do contrário ou me falam com discursos elaborados, compostos de palavras enigmáticas, concluo que: ou o indivíduo não tem qualquer ideia sobre o que está a dizer, ou me pretende enganar.


Vem isto a propósito de alguns comentários deixados ocasionalmente por visitantes anónimos ou, referências a este blog, vistas noutros blogs. Conclui-se pelos diferentes teores que é gente que não se revê na classe dos que trabalham e pagam os impostos de que é composto o orçamento do estado.


Extraterrestres convencidos de que a sociedade se compõe de dois grupos; um maioritário que trabalha e paga, habitualmente designado por pagantes e, um segundo pequeno grupo de gurus iluminados, convictos que, por serem iluminados, devem ser pagos pelos primeiros, ou seja, devem viver à conta do OGE.


Digo isto porque quem já viveu os anos que eu vivi, compreendeu certamente que quem é sério e passa uma vida inteira a trabalhar nunca consegue sair da cepa torta. Por muito que se esforce, o raio do dinheiro é sempre macho e nunca chega ao fim do mês. Os gurus iluminados diriam certamente que esta gente tem apenas o que merece, que não progride na vida mas apenas se pode culpar a si própria. É a sua condição, trabalhar e pagar. Nem sequer lhes poderá ser reconhecido o direito de se indignarem ou reclamarem da forma como é gasto o seu dinheiro.


Afinal de contas existem tantas formas de ganhar muito dinheiro rápida e facilmente. Por exemplo: Ser profissional liberal; receber muitos milhares por mês em consultas, pareceres, projectos, (sem recibo) etc., e declarar quantias ínfimas ao fisco. Há dias vi uma notícia sobre um destes iluminados; os gastos com o colégio dos filhos eram duas vezes superior aos seus rendimentos.


Ou constituir uma porcaria de uma empresa qualquer, receber apoios e incentivos, meter nas despesas da empresa todos os gastos pessoais e familiares, não pagar impostos porque não tem lucros e, ainda usar em proveito próprio os descontos cativados à escória.


Mas isto ainda dá algum trabalho. Melhor, só mesmo o tráfico de influências, as malas de dinheiro a troco de licenciamentos vários, os empregos públicos que proporcionam reformas chorudas ao fim de 5 anos, os favores entre gente de bem e, por aí fora.


Depois ainda temos a alta finança, as privatizações que nós pagamos e que são entregues de mão beijada aos do costume mas, isso já é gente que ganha por dia o que um trabalhador não ganha numa vida e nem vem ao caso porque esses não frequentam blogs. Os blogs são apenas para a cáfila pagante reclamar e os intelectos superiores terem aqui a sua masturbaçãozita intelectual.




publicado por AC às 00:18

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