Terça-feira, 31 de Janeiro de 2006

Há dias assim II

O medalhinhas


Alguém pode dizer ao senhor Sampaio que os 6 milhões de contos que nos custa por ano não se justificam a dependurar medalhinhas nas lapelas amigas?! E, já agora, que o meu cão manda dizer que não quer condecoração nenhuma porque não se baixa ao nível de alguns dos medalhados.





Guterres revisitado


Teve este senhor várias paixões e visões de futuro para Portugal. Uma delas “um computador ligado à Internet em cada lar” parece ter sido retomada pelo seu camarada José. O nosso estimado estado, em parceria com a Microsoft, vai promover formação na área da informática para os trabalhadores despedidos na indústria têxtil (apesar das habilitações maioritariamente básicas, cada costureira vai passar a executiva da costura) e, a mais um milhão de portugueses que nos próximos 5 anos, a julgar pelos muitos cursos que já existem no país, aprenderá a ligar a máquina no curso básico e a abrir o Word no avançado.


Ora bem, isto assim vai lá. Sempre são 10% da população a avançar no plano tecnológico. Ficam-me algumas interrogações. Será formação na utilização dos programas que a dita vende? Ou na programação? Será uma acção caridosa da Microsoft, uma beneficência da fundação Gates, ou será paga em bons euros com os dinheiritos da UE para a área da formação? E em que vão trabalhar tantos portugueses? Certamente no fisco, porque o estado deverá obter mais valias dos seus investimentos. E depois teremos o negócio do hardware. Com tanta gente a saber ligar o botãozito, vai ser como os telemóveis. 5 por cidadão. E mais a banda larga. E mais a…


Também me fica uma preocupação. E nós, os 90% de excluídos da referida formação, vamos trabalhar em quê?





Desígnios


Foi o Alqueva um grande desígnio nacional. O maior investimento feito pelo estado (com o dinheirito do Zé), grande obra de engenharia (e certamente de caridade para os muitos que com ela lucraram), transformaria o Alentejo na horta da Europa, competindo com os nossos vizinhos na produção de hortícolas. Mais tarde mudou-se o desígnio: uma obra fundamental para a acumulação estratégica de reserva de água. Parece que o desígnio foi novamente alterado. Em vez de ser reserva aquífera, passará a reserva para regadio de campos de golfe. Valha-nos Deus. Se assim for, teremos que mais uma vez, o povo paga as infraestructuras para os empresários fazerem bons negócios. E como também já lhes vamos pagar a contita da electricidade...





Plano tecnológico em marcha


Aquele senhor que faz de conta que tutela a justiça, e distribui computadores saberá que é muito pouco, para o estado em que a justiça se encontra, passar o seu tempo a fazer de pai natal? Saberá o senhor que muitas das instalações onde funcionam os tribunais não têm condições de funcionamento? Para já não falar nos milhares de processos que se amontoam nos locais mais impróprios, nas instalações onde chove como na rua, na falta de materiais elementares como esferográficas ou papel, saberá o senhor que em muitos casos os tribunais nem sequer se conseguem ligar à rede do MJ? Ou será que o negócio do hardware arrancou primeiro que o da formação?





Reflexões de um pagador


Claro que uma agricultura moderna e produtiva, um sector pesqueiro modernizado, a defesa das tradicionais indústrias do mobiliário, do têxtil ou do calçado, uma verdadeira melhoria qualitativa do sector turístico, para atrair o turismo rico e não o pé descalço, são áreas não tecnológicas e que não interessam a ninguém. Isto vai lá é com computadores. Isto vai. Um a dar medalhas, outro formação e outro computadores, vai lá. Mas onde?!







publicado por AC às 23:58

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8 comentários:
De Anónimo a 2 de Fevereiro de 2006 às 18:43
Caro Lord Jeremias, aqui fica o meu pedido de desculpa quanto à questão do e-mail. Os meus post e particularmente o que refere, são a minha forma de dizer que estou farto. Farto de trabalhar, de pagar, do cinísmo de quem chega so poder e justifica os custos com "estamos na média europeia" e os salários ficam sempre distantes da mesma média europeia. Temos como saberá os salários mais baixas da europa dos 15 e um dos mais elevados custos de vida. Ditadura da democracia, porque não vejo meios de saír desta situação em que vivemos. Os dois principais partidos alternam-se no poder, culpam-se um ao outro e não saímos disto. O seu desejo de ver as gerações nascidas em democracia, chegarem ao poder, espero que se realize e, acima de tudo, que corra bem. Eu sou um bocado céptico relativamente ao assunto e, por várias razões: a baixa qualidade do ensino em portugal. O facto da política estar desacreditada. Pelos inúmeros casos de fraude, enriquecimento ilícito, e outros ilícitos perpetrados por gente ligada ao poder. Ou seja, neste cenário, os mais capazes não irão para a política. Pelo que escreve, adivinha-se que terá alguma idade. Eu Já passei os 50. A ser assim, não será no nosso tempo que Portugal mudará para melhor.
Cordialmente,JT
(http://desgovernos.blogs.sapo.pt/)
(mailto:Cunhaabel@sapo.pt)


De Anónimo a 2 de Fevereiro de 2006 às 02:40
tenho vindo a reparar que muito do mal que aflige este pais é da falta de liderança e da geração que nos últimos tempos o conduz. a geração que tinha entre 15-25 no PREC. todos aqueles complexos de esquerda que descentraram por completo a sociedade, aquelas ideias revolucionárias e peregrinas que atravessaram as escolas e universidades da altura, a cobardia de mudar e o acomodamento... estou desejando que aas novas gerações que já nasceram em democracia e sem complexos de espécie alguma tomem conta aqui do rectangulo. tal como em frança igualmente muita gente se queixa dos "soixant huitards" e se reflecte na miserável liderança francesa actual. olhe, à laia de grito de esperança, viva a IV República Portuguesa!Lord Jeremias
</a>
(mailto:lordjeremias@erra.myip.org)


De Anónimo a 2 de Fevereiro de 2006 às 02:32
só um aparte que são 2.30 da manhã e já devia tar a repousar que amanhã é dia de trabalho. o meu email não é ficticio por muito estranho que pareça o endereço. se me enviar um mail eu não só o recebo como até lhe respondo!
a pergunta que lhe fiz antes axo-a perfeitamente justificada, o seu primeiro post é " a ditadura da democracia", tem uma sondagem que acerca se se devia mudar o regime. por isso lh perguntei qual o que propunha. quanto a dizer mal. bem, se forem justas as criticas pode e deve-o fazer [que eu tb o faço muita vez] desde que devidamente acompanhados da sugestão correctora.
a competência, seriedade e honestidade... bem... nem sei que lhe diga...existem realmente algures por aí em parte incerta... peço desculpa por puxar a brasa à minha sardinha e transformar isto numa guerra de gerações, mas sinceramente tenho vindo a Lord Jeremias
</a>
(mailto:lordjeremias@erra.myip.org)


De Anónimo a 1 de Fevereiro de 2006 às 23:05
Caro visitante Lord Jeremias, por princípio não costumo responder a comentaristas que se assinam por um e-mail fictício. Abro hoje uma excepção. Apenas para lhe dizer o seguinte: 1 – Não é minha intenção dizer mal. Limito-me a apontar os acontecimentos que vão marcando a nossa vida colectiva e, particularmente, a minha. 2- O regime é-me mais ou menos indiferente. O que importa é a competência, a seriedade e honestidade de quem vai governando este pobre país que, infelizmente para a grande maioria de nós, é cada dia que passa, mais pobreJT
(http://desgovernos.blogs.sapo.pt/)
(mailto:Cunhaabel@sapo.pt)


De Anónimo a 1 de Fevereiro de 2006 às 18:08
só por curiosidade e vistoque dei assim uma rápida vista de olhos ao seu blog, afinal o que é que quer? uma anarquia? ditadura? monarquia mais ou menos liberal? sociedade colectiva à maneira estalinista?... dizer mal do sistema vigente é a coisa mais fácil do mundo, todos o fazmeos, mas afinal qual é a solução que vossa excelencia porpôe? isso é que era uma grande post!Lord Jeremias
</a>
(mailto:lordjeremias@erra.myip.org)


De Anónimo a 1 de Fevereiro de 2006 às 10:18
Este teu poste está simplemesnte... GENIAL!
Quando se fala assim, nada mais fica por dizer
:-) Francis
(http://www.barbiku.blogspot.com)
(mailto:varela488@hotmail.com)


De Anónimo a 1 de Fevereiro de 2006 às 00:15
Há-de ir aonde? Há-de ir definitivamente ao fundo (se é que já não foi).Macaco Adriano
(http://www.bananasdarepublica.blogspot.com)
(mailto:bananasdarepublica@gmail.com)


De Anónimo a 1 de Fevereiro de 2006 às 00:09
Quanto aos campos de golfe... Que Deus é que nos há-de valer? Espero que não seja aquele, o João de Deus Pinheiro...ljma
(http://ocantarozangado.blogs.sapo.pt)
(mailto:ljmamoreira@gmail.com)


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