Terça-feira, 18 de Outubro de 2005

A ditadura da Democracia

Estamos confinados à ditadura da democracia. Depois de 1974, o sistema de alternância democrática que ora põe no governo o PS, ora o PSD, apenas nos conduziu à situação actual; dificuldades económicas, apertos do cinto, o país na cauda da Europa na generalidade dos indicadores socio-económicos, desânimo e frustração.

Caímos na armadilha da democracia. Alternadamente, em 30 anos, estes dois partidos afundaram-nos. Batemos num fundo sem fundo. Consequência da (in)competência política, o país afunda-se ou, vice-versa. Chegamos ao ponto dos políticos mentirem descaradamente nas suas campanhas e, nem sequer somos capazes de lhes retirar o poder. Reconheçamos que se o PS na campanha eleitoral, tivesse dito que ia aumentar a idade da reforma, os impostos, os combustíveis, e todas as decisões gravosas para os cidadãos, que tem tomado, provavelmente teria sido menos votado que o BE. Mas, assim não vale! Se o país caminha para o terceiro mundo, a política já lá chegou.

Obviamente que o regime não presta e alguns políticos assemelham-se a delinquentes. Impunemente mentem, arruínam o país, governam-se! E, nesta alternância democrática, já nem sequer apenas os partidos são os mesmos. Os actores são, eles próprios, os mesmos. Veja-se, como exemplo, no actual governo, quantos dos ministros e secretários de estado já anteriormente desempenharam funções governativas. Apenas dois exemplos:

José Sócrates: Deputado à Assembleia da República de 1987 a 1995 e desde 2002 (V, VI, VII, VIII e IX Legislaturas), pelo círculo de Castelo Branco, tendo sido, na IX Legislatura, Vice-Presidente do Grupo Parlamentar do PS, membro da Comissão Parlamentar de Defesa Nacional e membro da Comissão Permanente da Assembleia da República.
Ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território do XIV Governo Constitucional.
Ministro Adjunto do Primeiro-Ministro do XIII Governo Constitucional.
Secretário de Estado Adjunto do Ministro do Ambiente do XIII Governo Constitucional.
Ministro do Equipamento Social do XIV Governo Constitucional
António Costa: Ministro da Administração Interna do XVII Governo Constitucional.
Ministro de Estado do XVII Governo Constitucional.
Ministro da Justiça do XIV Governo Constitucional.
Ministro dos Assuntos Parlamentares do XIII Governo Constitucional.
Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares do XIII Governo Constitucional.
Profissionais da política.
Grandes cabeças como se percebe. Sabem de tudo e de nada. Tanto exercem um ministério como outro qualquer. Grandes competências! Venha de lá a nomeação que o desempenho é o que menos importa. Tramados estão aqueles que sabem fazer qualquer coisa, que exercem uma profissão. Esses não têm saída, porque apenas exercem o que sabem fazer. Os que não sabem fazer nada, esses sim, podem exercer qualquer cargo.
É esta a armadilha. De vez em quando, lá vai, como dizem os anarquistas, o gado eleitor a votos, legitimar a alternância. Os que são governo, passam a oposição, ocupando os confortáveis cargos de deputados, enquanto que, os que deixaram estes cargos, elevam-se a governo ou a administradores das EP. E andamos neste alterne há 30 anos.
Claro que tal regime e tais políticos só poderiam conduzir à actual situação. De há 30 anos para cá, eles são sempre os mesmos, com as mesmas ideias, as mesmas políticas e as mesmas práticas. Os resultados estão aí. Não vale a pena discutir as medidas do actual, ou outro qualquer governo, passado ou futuro, que apenas têm consequências gravosas na vida de quem trabalha: o défice, a crise da justiça, o ensino, a saúde, o corte de regalias dos políticos – deixem-me rir - é tudo fumaça para entreter o pagode. Daqui a quatro anos, se não for antes, o PSD ganhará as eleições, o PS terá socializado a miséria, o país estará mais longe da Europa, mais pobre e atrasado.
Devo confessar que pelo menos lhes reconheço um mérito. O de me fazerem tristemente sorrir, quando um governo acusa o anterior pelo estado da nação.
É tudo tão previsível. As promessas eleitorais, a encenação com o valor do défice, motivo para legitimar o não cumprimento do programa em que o povo votou, as novas promessas de que daqui a 3 anos estaremos melhor – claro estaremos próximo de novas eleições - Valha-nos Deus. Pelo menos que nos sirva de lição; o poder corrompe, o poder absoluto é, já em si, corrupção.
Não tenho qualquer preferência partidária. Recuso este sistema. Aos 55 anos, estou, mais que desiludido, descrente que algum dia venhamos a ter vida melhor.
Revendo o passado e os seus governos, facilmente concluímos que novas eleições nada mudam. Eles são os mesmos. Não vale a pena gastar dinheiro e energias com estas. Quanto muito, mude-se o regime.
Somos hoje um país indignado e em luta com o seu próprio governo, eleito há apenas 3 meses. Assim não há economia que resista. Se este governo durar os 4 anos da legislatura, quando lá chegarmos, estaremos desgastados, exaustos e provavelmente, insolúveis. De outra forma, se é para saírem, que seja depressa. Como têm maioria absoluta e estão agarrados ao emprego que nem lapas – se assim não fosse não teriam mentido para lá chegar – sendo o PR da mesma cor, só o combate na rua os pode demitir.
E aos próximos, já que eu não votarei, não se esqueçam de lhes dar maioria absoluta!

publicado por AC às 19:05

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