Terça-feira, 20 de Junho de 2006

Terrorismo social

A estratégia do governo para agravar as condições de vida dos portugueses é ridiculamente simples. Faz um primeiro anúncio. Se o povo não reagir, agrava as medidas contidas neste primeiro anúncio num segundo – pior que o primeiro – se ainda assim não houver reacção, volta a agravar o segundo e por aí fora. Passo a passo, o povo bovinamente, vai aceitando o corte na palha.

 

Serve de exemplo o processo da reforma da (in)segurança social. Quase diariamente, as condições de acesso a uma pensão, - a pagar com os 35% que trabalhadores e empregadores têm obrigatoriamente de entregar ao estado – se vão tornando mais difíceis.

 

Hoje é notícia que as actualizações das pensões será indexada ao crescimento da economia mas, se esta não crescer acima de 2% do PIB, a actualização será 0,5% abaixo da inflação. Pelo andar da carruagem, com crescimentos próximos do zero, os nababos dos reformados, bem vão ter que se dedicar à mendicidade, pelo menos aqueles que ainda não o fazem.

 

Que, quem se reformar antes dos 65 anos, será penalizado em 7,5% ao ano. Como as empresas entre os 50 e 55 anos, inapelavelmente despedem os trabalhadores, mesmo que estes tenham já 40 anos de contribuições, um contribuinte a 15 anos da idade de reforma, além de nada receber, por estas contas ainda fica a dever 12,5% ao estado.

 

Que, para efeito de cálculo do valor, serão considerados todos os anos de carreira e não os melhores 10 dos últimos 15 (creio que é assim), que é a fórmula actual. Curiosa é a justificação: “para evitar distorções já que há contribuintes que nos últimos anos reforçam os descontos”. Devem ser os notários ou trabalhadores liberais, porque os empregados por conta de outrem não têm possibilidade de tal. Mas, os senhores a quem demos maioria absoluta, entendem que se deve penalizar toda a gente e não apenas os prevaricadores.

 

Temos ainda aquela ideia peregrina da nova fórmula de cálculo se vir a aplicar retroactivamente a quem se reformou depois de 2002. Além de ser provavelmente constitucionalmente ilegal, do ponto de vista social, é absolutamente imoral.

 

Isto está a acontecer, num país onde muitos dos detentores do poder, além de funcionários governamentais, exercem actividades profissionais privadas e, auferem uma qualquer reforma. O PR é o primeiro exemplo.

 

Estamos a um passo de receber uma caridade, por pequena que seja, de um estado pulha que nos obriga a descontar 35% dos salários para que possamos ter uma velhice digna. Isto é inaceitável. Isto é uma vergonha.

 

Para garantir a sustentabilidade da SS, dizem eles, ainda que cada governo mande fazer as contas mais convenientes. Quando se compara as prestações da nossa SS com, e por exemplo a francesa, percebe-se melhor o logro de tudo isto. Considerando que França terá condições sociais equivalentes às nossas – desemprego e velhice – vejam apenas este exemplo: Uma cidadã portuguesa trabalhou e descontou, durante alguns anos em França. Regressada a Portugal e chegada a idade de reforma, passou a receber da SS francesa, cerca de 500 € mensais. Desde há 2 anos, ficou sozinha e inválida. A SS francesa aumentou-lhe a pensão em 1.000 €, mensais, destinados a pagar uma acompanhante, tendo retro activado esta prestação ao tempo em que ficou dependente.

 

Portugal chafurda numa pocilga política cujas consequências se abatem sobre o país, lançando este povo na maior miséria, enquanto que o poder se rebola de gozo confortavelmente estabelecido em reformas chorudas, vencimentos magnânimos, negociatas diversas, luvas e comissões.

 

Presumo que estas novas condições de acesso às reformas, se inserem na palhaçada designada “roteiro para a inclusão social” promovida pelo mudo. Está no bom caminho, especialmente porque as suas três pensões, já ninguém lhas tira e a que há-de receber enquanto ex-PR também está segura, pelo que, como ele próprio diz, não se conformem, porque eu não me conformo.

 

No meio deste desastre, os portugueses ou estão de férias ou, continuam impávidos e serenos a ver a bola. Esperemos pela próxima pancada.


publicado por AC às 23:05

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7 comentários:
De jgoncalves a 20 de Junho de 2006 às 23:43
Esperança de vida e se a morte sobrevive a essa esperança, que andámos por cá a fazer?


De Francis a 21 de Junho de 2006 às 17:22
Sim, mas esses cortes são necessários! De outra forma como conseguiremos pagar as reformas dos altos cargos de Estado e as viagens, coiso e tal???
:-)))
Enfim, temos que rir da nossa própria desgraça!
Ou talvez não...


De magnolia a 21 de Junho de 2006 às 23:46
Assistimos impávidos a um outro mundial, quotidiano e real: aquele em que jogam todos os dias milhões de portugueses que perdem cada vez mais a sua condição de cidadãos quando se enfrentam a um adversário que os obriga a empreender jogadas sem quaisquer tácticas ou estratégias, mas com um único e claro objectivo: tentar de sobreviver nesta selva de vampiros que lhes sugam o sangue até à morte…


De Fernando a 22 de Junho de 2006 às 00:38
Excelente post . Pensei que a caridadezinha que falavas era aquela que o governo pretende fomentar, ao introduzir a competitividade entre concelhos, delegando competências às Câmaras para poder reduzir até 3% do IRS dos munícipes do seu concelho, pretensamente para fixar e atrair as populações. Uma fantochada, esta disputa entre concelhos. Uma boa oportunidade para vir à tona as políticas populistas dos políticos corruptos e demagogos. A caridadezinha está aí. Pobres de nós.


De portuguesinha a 26 de Junho de 2006 às 17:13
Este país vive na Idade Média, embora não pareça. Até as medidas para ter dinheiro são obsoletas, mas mantêm-se: impostos e mais impostos! E é sempre sobre os pobres, porque os ricos nunca pagam! Vergonhoso...


De tron a 28 de Junho de 2006 às 12:15
a politica de josé Adolf htiler vdela Socrates


De maldicente a 2 de Julho de 2006 às 00:52
O meu comentário está no blog da merda ou em:
www.cipt.blogspot.com
Dá-lhes com força.


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