Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2006

Carta aberta ao Sr. Presidente

Deixará V. Ex.ª, brevemente o cargo de Presidente da Republica, que ocupou, e não, desempenhou, ao longo de dez fastidiosos anos.


Devo dizer-lhe como cidadão deste país, que encaro a sua partida com algum alívio e poucas esperanças que o seu sucessor faça melhor. Terá este no entanto, o benefício da dúvida.


Tento recordar algo que possa advogar a seu favor. Algo que tenha feito pelo país, pelos portugueses. Lamentavelmente, apenas recordo as suas eternas preocupações, que de tal nunca passaram, com a justiça, as minorias, os velhos, as visitas à Cova da Moura e a distribuição de condecorações, única actividade marcante da sua presidência. Dez longos anos durante quais o país se transformou no enorme lamaçal em que vivemos e a que V. Ex.ª, assistiu serenamente. Preocupado, julgo eu.


Mas, para o povo, o país que deixa, está infinitamente pior do que o que encontrou. Em síntese, os ricos estão mais ricos, a classe média está pobre, e os pobres de então são hoje mendigos. Não se poderá orgulhar deste legado. Dois milhões de portugueses no limiar da miséria, dez porcento de desempregados, uma profunda crise na justiça, na economia, na política e, na sociedade em geral.


Um país asfixiado com impostos, taxas, coimas e derramas. Um governo que se orgulha do crescimento da receita fiscal num cenário de estagnação económica.


Custou-nos a sua presidência, cerca de seis milhões de contos por ano, quantia muito superior ao custo da Casa Real Espanhola e que certamente, teria sido melhor empregue a suprir as necessidades mais elementares dos dois milhões de portugueses que vivem na miséria.


Continuaremos ainda a pagar a sua reforma, mesmo à conta da nossa fome e, todas as comodidades de que usufruirá. É o balanço da sua presidência. Deixarei de viver preocupado com as suas preocupações. Viverei preocupado a tentar sobreviver num país onde os políticos têm como objectivo asfixiar o povo.


Devo dizer-lhe que não votei em si nem em qualquer dos últimos governos. Há muito que não voto, porque há muito percebi quem são e que objectivos têm os candidatos ao poder. Só o voltarei a fazer quando os políticos tiverem palavra, a souberem honrar e tenham, como primeira prioridade o enriquecimento do país e não de outros.


Cordialmente,




publicado por AC às 19:49

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