Segunda-feira, 1 de Maio de 2006

Folclore de Maio

Cumpriu-se mais um dia de folclore. O povo, ordeiramente, desfilou avenida abaixo, entoando as velhas palavras de ordem. Em luta por um emprego de melhor qualidade, dizem os dirigentes sindicais. Isto num país onde encontrar um trabalho qualquer é uma sorte, soa a piada.
 
Amanhã, tudo continuará como antes. Trabalho cada vez mais precário, salários miseráveis, novos despedimentos, reformas de pobreza uns dias antes da morte…
 
As centrais sindicais terão cumprido o seu papel e a consciência restará tranquila até ao próximo 1º de Maio. Estes dirigentes sindicais, tão velhos quanto a nossa democracia, são apenas a outra face do poder que nos conduziu ao atoleiro onde nos encontramos. Devo dizer que por vezes, tenho até alguma dificuldade em diferenciar as organizações sindicais das patronais. No fim de contas, os sindicatos vivem dos mesmos que enriquecem o patronato e os políticos: os trabalhadores.
 
A sua noção de contestação, de defesa dos trabalhadores é, no mínimo, hipócrita. Lembrem-me por favor, nos últimos 15 anos, que medidas lesivas dos interesses dos trabalhadores foram alteradas por motivo de contestação na rua organizada por qualquer das centrais sindicais?
 
Será que os senhores Proença e Carvalho não aprenderam nada com os franceses na contestação que estes fizeram à lei do primeiro emprego? Será que estão mesmo convencidos que as suas ordeiras manifestações têm qualquer efeito, ou que alguém as tem em conta?
 
Ou, tal como os políticos, estão-se apenas borrifando para nós?

publicado por AC às 21:39

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De Anónimo a 2 de Maio de 2006 às 13:16
É verdade estas acções estão a tornar-se um ritual e podiam ser mais do que uma celebração deste heroico dia. Os sindicatos e os sindicalistas estão desacreditados e acomodados. Hoje na sua maioria são uns borucratas, para esta ocasiões, ou para cumprir um papel partidário. Uma ou outra acção são meras acções conjunturais para mostrarem que existem. E lá estão sempre os mesmos: Os dirigentes de sempre, os delegado sindicais de sempre, os funcionários do partido de sempre, e os trabalhadores, carne para canhão de sempre. Uma tristeza. Mas a verdade é que nós pouco fazemos para mudar. Tb não é fácil, a máquina está "fechada" para ninguém entrar. Mas falta participação, falta esforço para mudar, falta determinação para o combate, é mais fácil dizer mal. Um amigo meu, dirigente sindical está farto. Quer sair, mas tb não vê ninguém, ninguém se aproxima... Ele diz que os dirigentes sindicais, todos juntos e espremidos, não dão mais que um ou dois bons sindicalistas. Mas quem quer ser sindicalista, quem é activista sindical? quem quer ser dirigente sindicall? Onde querem e quem quer tb está impedido. O cerco da máquina partidária ou sindical abafa tudo. É uma tristeza e lamentável. A grande verdade é que hoje a carreira profissional está primeiro. Tudo poderia ser diferente se o processo de renovação se desse pacifica e livremente, sem interferência politica e partidárias, sem querer controlar a máquina, escolhendo os mais preparados, mais disponíveis em cada momento e por períodos curtos.


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